19.7.09

eterno saudoso robótico

acho que vou morrer de saudade
ela anda entortando em mim e eu ando feito um robô
minhas tripas maquinóides andam cheias de saudade
minhas pernas de titânio e amortecimento molecular andam muito cansadas
meio feito nicotina atolando em artérias
ando me entupindo, entupindo de óleo viscoso ônix horrendo
há de explodir explodir
espera e verá na próxima noite num bar
quando a fumaça verde esnevoar teus olhos
minha cabeça de LCD vai disparar cristal líquido para todos os lados
verde, espero,
como seu sorriso

perdi o controle (again)

sitting in a pill of wood watching hills get greener and greener in the wind
which blows my odd hair to the haze
the haze of hydro in my head
which tells me all the time to sit in a pill of wood
and try not to think about anything else cause everything is just so dehydroed

27.6.09

introdução - eu,

eu vou falar de tristeza:

sobre aquilo que bate no coração feito jato de gelo direcionado para a parte que faz amar e que tem como conseqüência esse pensar de repente em alguém que está longe mas tão perto, ou alguém que está longe e vai ficar longe para sempre ou tempo o suficiente para que você pense como sempre, e aí você vai lembrar, ah!, você vai lembrar de quando tudo era mais fácil, vai lembrar das noites compromissadas sem celulares ou falta de dinheiro ou medos ou falta de afeto o qualquer coisa, vai lembrar da noite em que bebeu e bebeu e jurou amor e jurou amor com os amigos e vai lembrar do primeiro beijo nela, naquele jeito tão sem saber como ou quando que te acomete de repente e

eu vou falar de não saber o que fazer:

de tentar escrever algo como isto, pensar no que te aconteceu de pior e botar isso de um jeito escrito que faça não parecer tão ruim ou pelo menos deixe as coisas ruins de um modo mais aceitável para seus olhos imensos; sobre o motivo maior pelo qual tenho medo de lhe perder quando brigamos, e talvez também a causa principal de eu esquecer o jeito carinhoso de falar com você quando a barra tá pesada, e com certeza vou falar que é porque não sei o que fazer que fico bravo e esqueço grandes & grandiosíssimos momentos de explendor = gigantescas lâmpadas super iluminadas que não podem ser desfocadas pela névoa de nossas brigas e

eu vou falar de morrer de amor:

desse sentimento que acomete o homem que sofre com incidentes importantíssimos que ninguém dá importância, pensar em algo terrível e não conseguir convencer o mundo do quanto é catastrófica a tremenda chuva de azul terrível & triste & mortífero que se abate por você quando seus olhos se calam e sua boca se fecha à noite e o doce pensar nas coisas amargas lhe tiram o sono e suas lágrimas são as hipóteses nefastas paranóicas que parecem não levar em consideração o fato magnífico e absurdamente complexo de que sim, existe outro alguém que pensa em você e

eu vou falar de minha menina

(ela tem o sorriso do tamanho do meu campo de visão e seus lábios são deliciosamente quentes e em seu hálito sinto a segurança de um milhão de cobertores em uma noite fria comigo lhe abraçando quentinho contando histórias sobre o que foi e o que pode ser. e em seus braços sempre tenho alguém para me sacudir, para me explicar o que me é tão difícil, para me fazer não morrer de tristeza).

17.5.09

inverno em punta

8.3.09

Certas como são certas as cores que invadem o céu (todos os céus, não importa em qual você crê) também é certo como são certas as nove milhões de almas inquietas que tingem o alvorecer de abril sobre a marca da calma paciente de quem espera todo dia pela repetição do anterior e certo como é certo que esqueceremos nossos amores porque a vida se é que a vida exista e eu não creio que seja mais do que isso que vemos em nossos corpos e em nossa ânsia porque o amor se é que o amor existe é esse tom de azul que vai cobrindo meu corpo porque é certo que vou embora e é certo que deixarei para trás os que me amaram como é certo que me deixarei perder aqueles que amei porque as pessoas vão e voam como poeira nesses dias solitários em que o ápice de alegria é um copo e se conseguirmos ter sorte um corpo suado de mulher entre nossas coxas para voltarmos alegres para casa e nos sentirmos um pouco menos velhos um pouco mais fortes um pouco mais sinceros, porque tem jazz escrito no meu isqueiro vagabundo e tem jazz impresso nas suas coxas e tem jazz nos acordes da musica ao fundo e tem jazz escrito no céu da minha boca e tem jazz cravado em mim e tem jazz em cada linha de cada uma de suas cartas e é só jazz sibilante que entra pelos ouvidos que sangram e pelos pés que dançam e pelas mãos que tateiam no escuro ávidos pelas mãos da aurora, é só jazz que carrego comigo, e é cada um de vocês que levo aqui na palma da minha mão como uma bomba que coloco contra o peito para o que estrago me leve para uma espécie de dias melhores quando todos estavam próximos.